Vida Psíquica e Organizações

Os estudos da psicanalise desenvolveu-se ao longo do tempo como gruto dos pensamentos do psicanalista Sigmund Freud. Diferente de outros autores e com uma linha de pensamento que não segue o behaviorismo, Gestalt, entre outros, a psicanalise visa a entender os fatores além do consciente que levam as pessoas agirem de tal maneira, a se submeterem a certos esforços e, em última instância, obter o conhecimento mais profundo sobre àquilo que rege as atitudes do ser humano para que, os administradores em sua função, possam obter maior controle de seu ambiente, das pessoas e manipular suas ações de tal forma que estejam em conformidade com os objetivos da administração e dos acionistas de uma organização. Como foi visto durante o semestre na aula de Organizações e em outras matérias, em especial, Psicologia, as organizações estão sustentadas por relações cada vez mais complexas, com canas de comunicação cada vez mais sofisticados e diversos. Além disso, as ferramentas de controle que os gestores utilizam são cada vez mais finos de tal forma que o controle se torna cada vez mais sutil e imperceptível. Isto faz uso, principalmente, do sentimento de culpa dos funcionários de diversas maneiras. Um exemplo de tal uso são empresas de referência no mercaod mundial em que presam por um ambiente "informal" e que fornecem a seus funcionários diversos entretenimentos para mostrá-los que a empresa presa pela qualidade de vida deles, assim como valorizam o momento de descontração. Por outro lado, a empresa realiza tais ações, pois tem o conhecimento de que estas levam a uma maior produtividade de seus colaboradores. Além disso, fazem severas avaliações de desempenho em que os piores avaliados são demitidos para ,assim, contratar pessoas que produzem mais. Com tantos benefícios oferecidos para o funcionário, este, ao pensar em deixar a empresa (como Freud explica, na fase adulta o pensar e o agir podem ter o msmo peso, pois já desenvolveu no indivíduo a noção de certo e errado. Assim, o próprio pensamento se recrimina) sente-se culpad por deixar nas mãos a organização que tanto lhe apoiou e foi bom para a sua vida. Percebe-se que o superego do indivíduo, então, tem um papel de justiça e guiar o Ego sobre as ações corretas que deveria fazer e, assim, evita que o Id (impulsos) sejam expressados pela pessoa. Por outro lado, é importante o seguinte questionamento:
O QUE LEVAM AS PESSOAS A VALORIZAREM TANTO O TRABALHO? QUAIS SÃO AS RAZÕES MAIS PROFUNDAM QUE FAZEM OS HOMENS VIVER NO COLETIVO, NECESSITAREM DESSA CIVILIZAÇÃO E QUE OS DEIXAM INSEGUROS EM MOMENTOS SOLITÁRIOS?

Deixo então tais questões para uma boa reflexãoem grupo e, em última instância, nos leva a pensar o que realmente nos impulsiona a ser administradores.


Contribuição do Grupo 8 para a discussão



O Grupo acredita que essa extrema valorização do trabalho tem muito das influências da sociedade nas pessoas. A sociedade acaba por "cobrar" que o profissional seja bem sucedido. Além disso, o homem, ao viver em sociedade, abdica de algumas liberdades e isso pode ser traumático no sentido de que muito do que se abdica é fonte de prazer, mesmo que momentâneo.
Partindo para uma visão mais conceitual, o grupo acredita que a grande valorização do trabalho pode sinalizar fuga do traumas da vida pessoal, o momento em que a pessoa se sente em um sentimento oceânico, conceito freudiano que diz respeito a um sentimento de extremo prazer
uma variação primitiva do ego que se sobrepunha em alguns indivíduos gerando um sentimento religioso.


Muitos workaholics, por exemplo, se matam de trabalhar porque no ambiente de trabalho não estão em contato com os problemas familiares e da vida privada.

Mas se formos pensar quais são os motivos que nos levam a ter esses traumas da vida privada, entramos em um paradoxo, pois, geralmente, as pessoas colocam a culpa de seus problemas privados no profissional.
Freud comenta a existência de 3 fontes para o sofrimento: nossos corpos, o poder superior da natureza e a inadequação as regras da sociedade. Talvez o que mais se encaixe no sofrimento que leva a essa valorização do trabalho seja a inadequação às regras da sociedade.

Marcelo Kapel, Rafael Adegas e Thais Cascello