Teoria Institucional

Os primeiros estudos que permearam essa teoria datam de 1900, quando intelectuais da época iniciaram alguns questionamentos a respeito do pressuposto do "homem econômico". Neste contexto, a Teoria Institucional desafiou quatro aspectos da teoria Neoclássica: o determinismo, a preferência do indivíduo definindo suas escolhas, a motivação utilitarista e independência do contexto histórico-social.

Um dos pioneiros da teoria em questão foi Phillip Selznic. Com seu estudo da Tenessee Valley Authority (1957, 1966), que era uma agência para melhorar as condições econômicas da região, evidenciou que os interesses públicos são subvertidos pelos interesses pessoais. Em uma interpretação mais ampla, pode-se dizer que as organizações são afetadas pelas circuntâncias sociais e demandas das comunidades em que são inseridos.

Em contraposição ao racionalismo das teorias econômicas a respeito do comportamento humano, a Teoria Institucional afirma que os indivíduos não tem suas atitudes baseadas em seu papel formal e os organizações não são aptas de administrar suas dimensões não racionais, que seriam complexos sistemas infomais. Mais do que isso, e em um âmbito social, pode-se notar um processo de socialização, no qual a realidade é socialmente construída e as pessoas estão sendo moldadas para entrar na sociedade.

Mais adiante, em busca da legitimação, as organizações copiam as práticas uma das outras. Para tanto, elas adaptam-se com base em ações individuais e pressões ambientais, bem como às leis e valores da sociedade em que estão inseridas. De acordo com essa teoria, as organizações preocupam-se mais com as sua adaptação ao ambiente e à sociedade do que com o cumprimento de suas contingências formais.

As organizações institucionais adotam um comportamento calcado na conformidade a padrões socialmente impostos ou aceitos e na legitimação, visando uma maior aceitação no contexto mercadológico e social. No entanto, tal comportamento é questionável no sentido em que tais organizações deixam de focar em objetivos internos (tamanho, tecnologia, etc) e passam a sua atenção para fatores externos não ligados ao processo produtivo (legislação, modismos, etc). Ou seja, a sobrevivência da organização está muito mais ligada à capacidade da mesma de conformar-se, através de combinações de isomorfismos (coercitivo, mimético ou normativo*)do que de diferenciar-se e de basear-se nos objetivos da prória organização em relação a suas operações.

Entra em questão, então, a relação entre a organização formal e as atividades e comportamento organizacionais que ocorrem de fato. Ou seja, as normas e padrões não são seguidos pelos funcionários e as decisões não são impletadas, já que as contigências formais são menos relevantes que a adaptação ao ambiente.

A Teoria Institucional, então, evidencia um comportamento isomórfico das organizações a fim de garantirem a si uma sobrevivência no mercado mas, ao mesmo tempo, é questionada pois essas organizações colocam em segundo plano seus objetivos e contingências formais e seus funcionários acabam não seguindo as regras e padrões inicialmente impostos.

*Isomorfismo coercitivo: a adoção de normas é forçada por agências poderosas
Isomorfismo mimético: imitação de uma empresa por outra com idéias que deram certo - benchmarking
Isomorfismo normativo: normas de conduta e práticas comuns ((profissionalização dos gestores, associações profissionais, publicações, migrações de profissionais de uma empresa para outra)


Alcides Braga, Beatriz Lima, Guili Moser e Joana Giosa

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Contribuição do Grupo 8

Achamos interessantes dar alguns exemplos ilustrativos dos isomorfismos, a fim de facilitar a compreensão.

“SP proíbe cigarros em ambientes fechados de uso coletivo

No dia 7 de agosto, o Estado de São Paulo dará um importante passo em defesa da saúde pública. Com a entrada em vigor da nova legislação antifumo, fica proibido fumar em ambientes fechados de uso coletivo como bares, restaurantes, casas noturnas e outros estabelecimentos comerciais. Mesmo os fumódromos em ambientes de trabalho e as áreas reservadas para fumantes em restaurantes ficam proibidas. A nova legislação estabelece ambientes 100% livres do tabaco.

A medida acompanha uma tendência internacional de restrição ao fumo, já adotada em cidades como Nova York, Londres, Paris e Buenos Aires. Inúmeros estudos realizados comprovaram os males do cigarro não apenas para quem fuma, mas também para aqueles que se vêem expostos à fumaça do cigarro. É principalmente a saúde do fumante passivo que a nova lei busca proteger. Segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), o fumo passivo é a terceira maior causa de mortes evitáveis no mundo.

A nova lei restringe, mas não proíbe o ato de fumar. O cigarro continua autorizado dentro das residências, das vias públicas e em áreas ao ar livre. Estádios de futebol também estão liberados, assim como quartos de hotéis e pousadas, desde que estejam ocupados por hóspedes. A responsabilidade por garantir que os ambientes estejam livres de tabaco será dos proprietários dos estabelecimentos. Os fumantes não serão alvo da fiscalização.

Para evitar punições, os responsáveis pelos estabelecimentos devem adotar algumas medidas. Entre elas, a fixação de cartazes alertando sobre a proibição, e a retirada dos cinzeiros das mesas de bares e restaurantes como forma de desestimular que cigarros sejam acesos. Devem, também, orientar seus clientes sobre a nova lei e pedir para que não fumem. Caso alguém se recuse a apagar o cigarro, a presença da polícia poderá ser solicitada.

Em caso de desrespeito à lei, o estabelecimento receberá multa, que será dobrada em caso de reincidência. Se o estabelecimento for flagrado uma terceira vez, será interditado por 48 horas. E, em caso de nova reincidência, a interdição será de 30 dias.

Ao proibir que se fume em ambientes fechados de uso coletivo, a lei antifumo estabelece uma mudança de comportamento com reflexos diretos na saúde pública. Mudança que será estimulada por campanhas educativas e fiscalizada pelo poder público. E que terá na colaboração da população uma de suas principais armas.” proibido_fumar.jpg


Como consta no artigo acima, extraído do site http://www.leiantifumo.sp.gov.br/lei.php, o governo (que pode ser tido como uma agência reguladora) adotou a Lei Anti-Fumo. Isso faz com que os estabelecimentos acatem medidas para se enquadrarem em tal norma. Algumas dessas medidas podem ser: fiscalização pesada dos fumantes em locais fechados do estabelecimento; encaminhamento destes para os locais abertos (se existirem), caso contrário, na calçada é permitido.

Assim, esse seria um exemplo que ilustra a doção de normas forçada por uma agência reguladora. Logo, seria um exemplo de Isomorfismo Coercitivo.
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Um exemplo próximo da nossa realidade, seria como a balada “Royal Club” lidou com a situação. Proibindo o fumo dentro do estabelecimento, é formada uma fila, organizada por seguranças, que permite fumantes de saírem e fumar na área externa do estabelecimento.

Passemos agora para um excerto de um artigo do site do programa “Pequenas Empresas Grandes Negócios”,
http://revistapegn.globo.com/Empresasenegocios/.

“Um excelente exemplo de benchmarking na área de atendimento aos clientes vem da AT&T, a operadora de telefonia americana. Apesar de ser uma grande corporação, as lições aprendidas por ela na busca de boas práticas na área podem ser aplicadas a negócios de qualquer porte. A AT&T tinha, até 1984, o monopólio do sistema de telefonia de longa distância nos Estados Unidos. Portanto, não se preocupava muito com a retenção de clientes. A partir da abertura do mercado, concorrentes como Sprint e MCI entraram no jogo. Só então os executivos da AT&T passaram a se importar mais com o tratamento dado aos clientes. Especialmente no que diz respeito ao serviço de atendimento a reclamações, que é ainda mais importante numa prestadora de serviços como ela.
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Um time de especialistas em atendimento da AT&T se debruçou sobre a questão. Descobriu que os clientes de empresas em ramos diferentes de negócios costumavam se queixar de problemas diferentes, mas que os sistemas de atendimento a reclamações não mudavam muito de um ramo para outro. Por isso, a equipe decidiu pesquisar sistemas de atendimento de empresas de setores diversos: uma empresa de entregas rápidas, um hotel e uma companhia aérea. A pesquisa gerou uma lista de 25 pontos em que o atendimento poderia ser melhorado. À luz dessa lista, os executivos começaram uma revolução na área. "A gerência de benchmarking da AT&T prevê que a adoção das melhorias levará anos, em virtude de tudo de novo que foi aprendido", escreveram Bogan e English no livro Benchmarking for Best Practices.”

Com isso, fica evidente o benchmarking promovido pela AT&T. Logo, esse texto seria uma ilustração do Isomorfismo Mimético, que diz respeito à imitação de uma empresa por outra com idéias que deram certo (benchmarking).

Por Marcelo Kapel, Rafael Adegas e Thais Cascello.


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