Teoria da Escolha Estratégica

A teoria da escolha estratégica é uma teoria que se baseia nos princípios e conceitos do Voluntarismo que são de certa maneira opostos aos conceitos e premissas do Determinismo, na Teoria da Ecologia Populacional. O voluntarismo afirma que o homem é um ser autônomo e, portanto, possui a capacidade de escolher e influenciar seus rumos e os fenômenos de que toma parte. O ambiente onde se insere o ser humano não será necessariamente determinante das ações e conquistas do próprio, muito pelo contrário, o homem para os voluntaristas possui um papel ativo no ambiente e na história.
Assim, se adotarmos uma posição voluntarista ao olharmos para as organizações podemos dizer que o destino, o sucesso ou fracasso das organizações é determinado pelas ações tomadas pela mesma e, portanto, o destino dessas empresas pode ser controlado por elas. Ainda pro cima, as ações organizacionais é uma função dos dirigentes dessa, percebe-se nesse momento a importância atribuída ao papel dos seres humanos no próprio destino.
A Teoria da escolha estratégica é um exemplo de aplicação do voluntarismo nos estudos organizacionais. Essa teoria diz que a estrutura organizacional é manipulada e alterada por meio de negociações políticas com o objetivo de adequar-se aos interesses dos administradores e de seus dirigentes. Dessa maneira, fica claro a relação existente entre esta teoria e os princípios do voluntarismo, a partir do momento em que os dirigentes assumem o papel de atores fundamentais na definição das ações organizacionais e na determinação do destino de suas empresas. A escolha dos indivíduos dentro das organizações é o principal motivo que pode levar uma empresa ao sucesso ou à falência. A escolha se faz possível na determinação do design da estrutura organizacional, e os administradores possuem um papel ativo neste sentido.
É interessante observar a relação que pode existir entre o voluntarismo / Teoria da escolha estratégica e as diferentes perspectivas de estratégia abordadas por Richard Whittington. Segundo Whittington existem quatro perspectivas de estratégia: Clássica, Evolucionária, Sistêmica e Processual. Essas quatro perspectivas se diferem uma das outras em dois principais aspectos: Resultados e Processos. A perspectiva Clássica vê estratégia como um processo deliberado que tem como principal e único objetivo a maximização do lucro. Assim como a visão Clássica, a perspectiva Sistêmica também vê estratégia como um processo deliberado, porém acredita em um pluralidade de resultados no sentido que o objetivo da empresa não é somente a maximização do lucro. As perspectivas Evolucionária e Processual, em contrapartida, percebem o processo estratégico como algo emergente nas organizações, ou seja, as estratégias não são geralmente algo planejado e controlado pelas organizações, mas sim processos que derivam das condições do ambiente onde a empresa está inserida. A diferença dessas duas perspectivas está também na visão que elas possuem dos resultados das organizações; enquanto a Evolucionária tem por objetivo a maximização do lucro, a Processual acredita na pluralidade de resultados. A figura abaixo esquematiza as quatro perspectivas de estratégia de Richard Whittington.



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Desta maneira, podemos perceber que existe uma forte presença do pensamento voluntarista e da Teoria da escolha estratégica na perspectivas de estratégia de Whittington. A visão voluntarista é encontrada tanto na perspectiva Clássica como na Sistêmica, no momento em que os administradores e gestores das organizações adotam um papel ativo nas ações das empresas (processos deliberados), passando a planejar e controlar o destino das organizações. Já a Teoria da escolha estratégica se encontra mais presente na perspectiva Clássica. Além do papel ativo dos gestores nas ações e destinos organizacionais, essas ações possuem um objetivo final claro e definido que segue os interesses dos dirigentes: a maximização da lucro.

Grupo: Pierre Jadoul, Felipe Pierri, João Júlio de Almeida e Ismael Borges

Proposta de discussão:

A partir do sumário elaborado acima, o grupo propõe a seguinte discussão:
- Como o voluntarismo pode ser visto na prática?
- Até que ponto a Teoria da Escolha Estratégica está presente nas organizações?
- O quanto, na prática, o gestor consegue controlar o meio externo? Qual a influencia do ambiente no sucesso da empresa?



Complemento do grupo 4

A teoria da Escolha Estratégica está inserida em um contexto em novas formas de gerir organizações são discutidas. A Escolha Estratégica é um exemplo da corrente de pesamento do Voluntarismo, na qual os homens são autônomos e podem tomar decisões arbitrariamente. Ainda, a ação organizacional é função de seus dirigentes e o seu destino é integralmente determinado e controlado por ela. Tal corrente de pensamento foi de encontro ao Determinismo, na qual os homens e e suas ações são ditadas pelo ambiente em que estão inseridos e, consequentemente, o destino organizacional também é determinado.

De acordo com a tese central dessa teoria, a organização não é imposta por uma dada estrutura, seu destino pode ser manipulado por meio de argumentos políticos de forma a se ajustar aos objetivos dos administradores. A organização dá mais importância para aspectos políticos do que técnicos e seus administradores diferem-se quanto à forma de lidar com as contingências.

Então, assim como as organizações são construídas e sustentadas por meio da definição de seus gestores e estes são os agentes imprescindíveis na definição do significado organizacional, pode-se afirmar que os indíviduos que estão no poder definem a ação da organização conforme sua vontade e percepção. No entanto, a teoria da Escolha Estratégica não vê esse poder de imposição dos gestores como algo negativo, mas afirma que não é imperativo adaptar a estrutura da organização às condições ambientais.

A teoria em questão chama atenção para o fato de que, ainda que os dirigentes tenham um papel ativo e fundamental na estrutura da organização, eles não operam somente pelo interesse da organização, mas também pelos seus próprios interesses.

Dado isso, o grupo propõe uma discussão: até que ponto essa visão da Teoria da Escolha Estratégica influencia negativamente no desenvolvimento da organização?


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Contribuição do Grupo 8 para a discussão

Para responder a essa discussão proposta, são necessárias algumas considerações.

Primeiramente coloca-se que: enquanto, segundo a Ecologia Populacional, o ambiente seleciona as organizações mais aptas e o administrador tem um papel secundário, sob a óptica da Escolha Estratégica, o administrador tem um papel ativo e fundamental.

Indo mais a fundo na Escolha Estratégica, o ambiente não impõe uma dada estrutura. A organização pode ser manipulada e alterada através de negociações políticas para se ajustar aos objetivos dos administradores. Os administradores variam a forma de
responder às contingências,levando em conta suas percepções, valores e interesses.

Se organizações são construídas, sustentadas e modificadas através da definição dos seus atores, e se dirigentes são atores fundamentais na definição do significado organizacional, então os dirigentes definem a ação da organização conforme sua vontade e percepção. Desse modo, na Escolha Estratégica não é imperativo adaptar a estrutura às condições ambientais e ela dá atenção às interações, construções sociais, autonomia e escolhas dos indivíduos.

Já na Ecologia Populacional, como o gestor teria um papel secundário, pouco teria o que fazer para realizar mudanças nas organizações. Na teoria proposta por Hannan e Freeman, as organizações não se adaptam a seus ambientes, são de fato selecionadas por eles, impossibilitando o gestor de mudar tal situação.


Com essas premissas, pode-se iniciar uma análise.

Na visão do grupo, ambas as teorias representam os extremos. De um lado, só as decisões do gestor seriam responsáveis pelo sucesso ou fracasso de uma organização. Do outro lado, o gestor seria uma figura passiva, o ambiente que determinaria o futuro organizacional.

Sabe-se que ao gerir um restaurante pequeno, uma grande empresa de publicidade ou até um hospital de médio porte, tanto fatores internos como externos influenciam no sucesso ou insucesso dessas organizações.

Agora cabe um exemplo prático para a melhor compreensão.

Um dos grupos da classe, na disciplina “Projeto Organizacional Local”, estudou ao longo do semestre a empresa apelidada “Criando”. Um dos membros do grupo 8 do Wiki estava presente nesse grupo que estudou a Criando. Assim, tem propriedade para falar.criando.jpg

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Criando Atividades Alternativas é uma empresa que presta serviços de assessoria e consultoria para ONGs, Fundações, Associações e entidades privadas e públicas que queiram participar ativamente do desenvolvimento da economia social. No seu core business estão tanto treinamentos para profissionais da área, como projetos de consultoria.

Ao longo das reuniões, foi percebido que a organização praticamente desconsiderava seus concorrentes assim como o desempenho destes, ou seja, não levava em conta um importante fator externo para tomar as decisões que encaminhariam o fututo da empresa.

A partir das primissas e já colocadas e deste exemplo, o grupo 8 pode concluir o que acha sobre a discussão que foi levantada.

Uma organização com uma cultura baseada puramente na Escolha Estratégica ou puramente na Ecologia Organizacional dificilmente terá sucesso. O que se espera de uma empresa e de seus gestores é que levem em conta o ambiente e que seus gestores tomem as decisões da maneira mais estratégica possível.

Assim, a consultoria Criando não deveria prosseguir com a estratégia de só olhar para a parte interna da empresa e de tomar decisões sem fundamentos no rumo do setor. Tal estratégia até pode estar dando certo, mas a partir do momento que a concorrência acirarr, ou o setor apresentar algumas ameaças (como as próprias ONG’s já estabelecidas passarem a fornecer serviços semelhantes aos da Criando para ONG’s que precisam se profissionalizar).

O gestor consegue controlar o meio externo? Não. Mas pode coletar dados sobre ele. Uma vez com essas dados em mãos, deve transformá-los em informações úteis para as duas decisões organizacionais.

Uma importante ferramente, aprendida na disciplina de “Estratégia” se encaixa bem aqui. É a chamada análise SWOT: Forças, Fraquezas, Ameaças e Oportunidades.

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Estas análise de cenário se divide em ambiente interno (Forças e Fraquezas) e ambiente externo (Oportunidades e Ameaças).

As forças e fraquezas são determinadas pela posição atual da empresa e se relacionam, quase sempre, a fatores internos. Já as oportunidades e ameaças são antecipações do futuro e estão relacionadas a fatores externos.

O ambiente interno pode ser controlado pelos dirigentes da empresa, uma vez que ele é resultado das estratégias de atuação definidas pelos próprios membros da organização. Desta forma, durante a análise, quando for percebido um ponto forte, ele deve ser ressaltado ao máximo; e quando for percebido um ponto fraco, a organização deve agir para controlá-lo ou, pelo menos, minimizar seu efeito.

Já o ambiente externo está fora do controle da organização. Mas, apesar de não poder controlá-lo, a empresa deve conhecê-lo e monitorá-lo com frequência, de forma a aproveitar as oportunidades e evitar as ameaças. Evitar ameaças nem sempre é possível, no entanto pode-se fazer um planejamento para enfrentá-las, minimizando seus efeitos. A Matriz SWOT deve ser utilizada entre o diagnóstico e a formulação estratégica propriamente dita.

A aplicação da Análise SWOT num processo de planejamento pode representar um impulso para a mudança cultural da organização e auxiliaria na ponderação entre as ópticas da Escolha Estratégica e da Ecologia Organizacional.



Marcelo Kapel, Rafael Adegas e Thais Cascello.


Artigo de conclusão sobre a discussão
Como mostrado pelo nosso grupo que abordou Escolha Estratégica e visto na discussão do nosso tema podemos chegar a algumas conclusões. Vimos que tanto a Teoria de Escolha Estratégica como a Teoria de Ecologia Populacional são teorias que mostram dois extremos da realidade e que na vida prática notamos na grande maioria das empresas um híbrido entre essas duas teorias, ou seja, não é apenas o gestor que influencia a organização e não é apenas o meio que molda uma organização, mas sim é uma mistura entre o meio externo e o poder do gestor em gerir uma organização.
Para ilustrar a necessidade de um híbrido entre essas duas teorias, podemos citar a contribuição do grupo 8 sobre o tema Escolha Estratégica, em que foi mencionado a empresa Consultoria Para Criando o Terceiro Setor. Essa empresa parece ser um exemplo claro de Teoria da Escolha Estratégica, que é tão ligada apenas essa teoria, de que o gestor consegue moldar uma organização não considerando o meio externo, porém ao adotar apenas a Escolha Estratégica e não levando em conta o ambiente externo vemos que essa empresa não terá uma boa perspectiva de crescimento para os anos seguintes.
Assim, após todas essas discussões e analises o grupo pode concluir que seguir apenas uma dessas teorias não é interessante para nenhuma organização. O que seria importante para qualquer empresa é dar importância tanto para o gestor, que pode muitas vezes adaptar a organização em que trabalha ao ambiente, quanto ao ambiente externo que influencia de forma crucial a performance de qualquer organização.

Grupo 6; Pierre Jadoul, João Julio Almeida, Ismael Borges e Felipe Pierri
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