Ecologia Organizacional
A fim de aguçar o interesse dos leitores e para melhor explicarmos o fenômeno da Ecologia Organizacional, faremos um contraponto com a teoria da Seleção Natural.
Seleção Natural O mecanismo de seleção natural, proposto por Charles Darwin, é uma das teorias mais difundidas que explica o processo evolutivo. De acordo com essa teoria, a variabilidade das espécies promove características que diferem um ser do outro, características essas que se mostram adequadas ou não para cada tipo de ambiente. As espécies que possuem as características mais adequadas ao tipo de ambiente em que vivem, têm maiores chances de sobreviver e se reproduzir, passando adiante essa característica. Por outro lado, as espécies menos favorecidas pelo ambiente, não possuem condições de adquirir tais características, tendendo ao desaparecimento. Portanto, as espécies que predominam em um determinado momento, são aquelas que foram selecionadas pelo ambiente por possuírem as características mais favoráveis nesse meio. Foi a partir dessa teoria que foi explicada a razão das girafas possuírem pescoços longos: ao contrário do que as pessoas acreditavam, o pescoço desses animais não cresciam ao passar do tempo. O que acontecia é que os mais aptos, no caso, as girafas de pescoço longo (devido ao fato de serem os únicos a conseguir alcançar o alimento que se encontrava no alto das árvores, visto que com o tempo o alimento que estavam mais abaixo acabava), eram os únicos que conseguiam sobreviver nesse ambiente.
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Melanismo Industrial
Na Inglaterra, com o advento da Revolução Industrial, foi possível observar uma transição da população dominante de mariposas. Antigamente, antes do advento das indústrias, as mariposas claras predominavam sobre as escuras devido ao fato de essas últimas, por possuírem cor, serem muito mais destacadas aos olhos dos predadores (como pássaros). Por causa disso, era pequeno o número de mariposas escuras nesse período e grande o número de mariposas claras.
Entretanto, com o crescente desenvolvimento industrial e, consequentemente, a emissão de poluentes na atmosfera somada à grande quantidade de fuligem no ambiente, facilitou a sobrevivência das mariposas escuras devido ao fato de que elas conseguiam se camuflar nesse novo ambiente. Pode-se observar, portanto, que o novo ambiente acabou por selecionar as espécies mais aptas a sobreviver, de acordo com as suas próprias características.


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Aplicando a teoria da seleção natural nas organizações, Michael Hannan & John Freeman criaram o conceito de Ecologia Organizacional. Segundo essa teoria, as organizações não se adaptam ao seu ambiente, mas sim, é o meio que seleciona as organizações mais adaptadas, afirmando que as demais estão "fadadas a morrer". Dessa forma, a sobrevivência de uma organização depende da natureza de seu ambiente e as situações competitivas.
A teoria da ecologia organizacional pretende identificar a causa da existência de tanta diversidade de organizações. Alguns conceitos-chave serão abordados a seguir:

Processo Evolucionário
O processo evolucionário é constituído por essas três etapas principais esquematizadas. A primeira etapa abrange a idéia de que a variedade é criada por processos planejados ou não, ou seja, pela diversidade existente. A segunda etapa, seleção, indica que algumas formas ou organizações são mais adaptadas ao ambiente, e são elas que sobrevivem no ambiente, por exemplo, de competição. Por fim, a etapa da Retenção, passa a idéia de que as organizações selecionadas são preservadas ou reproduzidas posteriormente.

Inércia Estrutural
A teoria da Inércia Estrutural afirma que não adianta para uma organização tentar se adaptar ao seu ambiente, pois elas possuem limitada capacidade de mudança e tendem sempre à continuidade. Além disso, essa teoria abrange a idéia de que as mudanças que ocorrem nas organizações não podem ser controladas e que o gestor possui limitada capacidade de atuação.


Ecologia Organizacional Vs. Escolha estratégica
A teoria da escolha estratégica sugere que o ambiente não impõe uma estrutura específica para as empresas e que a mudança da estrutura organizacional é possível a partir das ações dos administradores. Como conseqüência, essas ações variam de acordo com as percepções, valores e interesses de cada gestor, o que significa que o fator determinante na sobrevivência da organização é a escolha dos indivíduos que estão no poder. Com isso, o papel deles dentro da gestão é de extrema importância de acordo com tal teoria.
Sob uma visão completamente oposta, a teoria da ecologia organizacional afirma que o ambiente é o responsável pela seleção das empresas que estão mais aptas para a sobrevivência e que o administrador tem um papel meramente secundário, uma vez que suas ações não influenciam as contingências da organização de maneira eficaz. Ou seja, estar com as características mais adequadas ao ambiente é o ideal de acordo com tal raciocínio.
Como se pode concluir, essas duas teorias divergem muito entre si e, outro aspecto importante dessa diferença é a própria base para suas formulações: as linhas de pensamento determinista e voluntarista.


Determinismo Vs. Voluntarismo
O determinismo e o voluntarismo consistem em duas linhas de pensamento bastante divergentes entre si. O determinismo é a base lógica para a teoria da ecologia organizacional, visto que afirma que os homens e suas atividades ocorrem em função do ambiente, dependendo da situação e momento em que estão inseridos. Assim, como foi dito sobre a ecologia organizacional e sobre a inércia estrutural, as organizações não tem a opção de se adaptar ativamente ao meio externo nem de alterá-lo para que ele se ajuste às suas próprias necessidades (limitação na atuação do gestor). Assim, segundo a diretriz do determinismo, pode-se dizer que as empresas ficam a mercê daquilo que ocorre em seu ambiente externo, ou seja, de fatores fora do seu alcance de atuação e controle.
Por outro lado, o voluntarismo baseia-se na idéia de que os seres humanos são capazes de tomar seus rumos livremente, como seres autônomos. Assim sendo, pode-se inferir que o voluntarismo serve de base para a teoria da escolha estratégica, pois afirma que a ação organizacional é função dos gestores da empresa e que, com isso, ela é capaz de controlar seu destino através das decisões e atitudes de seus dirigentes. Em outras palavras, sob essa ótica, a organização não depende apenas da conjuntura em que está inserida, mas também, e principalmente, das ações de seus administradores, que podem alterá-la ativamente.

Grupo: Acyr Neto, Andreia Choi, Juliana Lino e Thais Nishimoto
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Contribuição do Grupo 8

A fim de facilitar a compreensão do tema, meu grupo dará sua contribuição, a qual consta a seguir.

Em uma dada população há variações. Alguns membros nascem com novas características, as quais podem trazer uma maior vantagem. A diferenciação pode trazer melhor adaptação ao ambiente. No limite, os que possuem características mais ajustadas ao ambiente sobrevivem.
Michael Hannan e John Freeman desenvolveram um estudo focado em populações organizacionais. Para tanto, em 1977, publicaram um artigo intitulado “The population ecology of organizations”, o qual aborda uma diferente análise organizacional que era a teoria da ecologia organizacional, que pretendia identificar o motivo da existência de tanta diversidade de organizações.

Fazendo a analogia dos “nascimentos” às fundações de empresas e “mortes” à falências, eles elaboraram um conceito que as organizações não se “adaptam” a seus ambientes, e sim são selecionadas por eles. Desse modo, as organizações têm pouco a fazer a respeito: as mais adaptadas sobrevivem.
Dois conceitos-chave podem ser destacados: Processo Evolucionário e Inércia Estrutural.

O Processo Evolucionário conta com três “etapas”: Variação, Seleção e Retenção. A variedade é criada por processo planejado ou não, seguida pela seleção , na qual as formas mais adaptadas ao ambiente acabam por sobreviver. A retenção vem a seguir, quando as formas selecionadas são preservadas, reproduzidas ou duplicadas. Assim, o processo se inicia novamente e assim por diante.

Por Inércia Estrutural se entende que não adiante as organizações tentarem se adaptar ao seu ambiente, já que há uma limitada capacidade de mudança por parte da organização. O que configura a idéia de que as mudanças nas organizações não podem ser controladas. Assim, o administrador fica com uma limitada capacidade e possibilidade de ação.

Conclui-se, portanto, que segundo a óptica determinista da Ecologia Organizacional, o ambiente seleciona as organizações mais aptas e o administrador tem um papel secundário, o que entra em conflito com a visão onipotente do administrador na contingência.

Por Marcelo Kapel, Rafael Adegas e Thais Cascello.


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Síntese da Teoria
De Maneira mais simplificada pode-se afirmar que a teoria da ecologia populacional está baseada principalmente em três pilares:
- De que a diversidade é uma propriedade dos agragdos de organizações;
- As organizações na maioria das vezes encontram dificuldades para planejar e executar de maneira rápida o suficiente mudanças para responder as demandas de ambinetes mutáveis e incertols.
-Assim a comunidade das organizações é raramente estável, o que implica no aparecimento e desaparecimento das mesmas constantantemente.

Síntese Conclusiva
Pode-se inferir que um das grandes contirubuições da teoria de ecologia populacional está na explicação de como os fatores ambientais selecionam as carcterísticas organizacionais que melhor se adaptam ao ambiente.A ecologia explica que onde há existência de forte concorrência os recursos tornam-se escassos e somente os mais aptos sobreviverão indepndendo das ações que os gestores da empresa tomem.

Alcides Braga, Joana Giosa, Beatriz Lima, Guli Moser
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Apesar de já haver um resumo sobre a teoria, o grupo achou muito interessante fazer um adendo e adicionar uma discussao muito pouco abordada. O fato de a Teoria da Ecologia Organizacional. Com as pesquisas realizadas percebemos que existe no meio acadêmico que chama essa teoria de antimanagement. O artigo "ECOLOGIA ORGANIZACIONAL: implicações para a gestão e algumas pistas para a superação de seu caráter anti-management", de Miguel Pina e Cunha, publicado pela Revista de Administra de Empresas, RAE, fala um pouco sobre essa questão. Leia abaixo um trecho do texto:
"A natureza anti-management da ecologia Organizacional

Numa crítica feroz à proliferação de paradigmas na teoria organizacional, Donaldson (1995) considera a ecologia organizacional como a abordagem que mais frontalmente desafia a perspectiva contingencial, o que a transformaria na mais anti-management de todas as teorias assim classificadas que surgiram na recente cena científica americana (grupo que também engloba a perspectiva institucional, a dependência de recursos e a economia organizacional). Na argumentação apresentada por Donaldson, que parte das premissas básicas da teoria, ressaltam-se os seguintes apontamentos:
a) na teoria ecológica, o ambiente externo é “proativo”, cabendo aos gestores um papel passivo e de resistência à mudança induzida pelo exterior; b) o fato de o processo de seleção das organizações se desenvolver numa lógica supra-organizacional retira relevância e pertinência ao papel adaptativo do gestor tal como concebido noutras teorias (principalmente na contingencial); c) ao aceitar que são predominantemente as populações que mudam, e não as organizações (vide o conceito de inércia estrutural), a teoria ecológica não se mostra capaz de propor um conjunto de prescrições para a atividade de adaptação organizacional; d) a transposição da teoria darwiniana para o domínio das organizações não se processa sem problemas, parecendo a teoria ecológica mostrar-se pouco sensível a esse tipo de argumento. Embora possa constituir uma metáfora com francas potencialidades para o estudo das organizações (o que será talvez provado pela sua longa história em teoria organizacional), a perspectiva biológica não deve ser decalcada sem alguma cautela para o domínio das organizações (as quais, desde logo, e a título de exemplo, não herdam qualquer tipo de patrimônio genético). Como facilmente se depreende dessas argumentações críticas, a teoria ecológica parece, de fato, encerrar alguns focos anti-management. O papel do gestor é diminuído por referência à influência do ambiente externo, a racionalidade organizacional dilui-se na racionalidade populacional, a metáfora biológica invalida a utilidade potencial de outras metáforas que com ela talvez se pudessem combinar (sobretudo a política), as tentativas de aproximação a outras abordagens da adaptação organizacional (notadamente à abordagem contingencial dominante) são simplesmente inexistentes. Esse cerco sobre um conjunto de premissas relativamente rígidas e bem distintas do paradigma dominante não será de somenos importância para o reforço da coesão da ecologia organizacional. Não deixa de ser surpreendente verificar que, mesmo em face dessa barragem crítica, a teoria ecológica tem arregimentado um conjunto de adeptos que dela fazem um campo subdisciplinar ativo e inserido num conjunto de asserções profundas, a ponto de Pfeffer (1993) considerá-la um exemplo de coesão paradigmática num domínio tão pouco coeso como o da teoria organizacional. Na seção seguinte, serão analisadas as razões que tornaram tão popular uma subdisciplina que parece desafiar de forma evidente o saber acumulado no campo científico de que participa
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Razões para a afirmação da ecologia
organizacional

A crítica de Donaldson à ecologia organizacional nos obriga a responder a uma questão que dela decorre: se a teoria ecológica se revela tão perniciosa para o desenvolvimento da teoria organizacional e, principalmente, para o seu relacionamento com os gestores e a gestão, como explicar o seu sucesso e crescimento, traduzidos, por exemplo, no consenso paradigmático que nela observa Pfeffer?
Várias possibilidades de explicação podem ser apresentadas. A primeira refere-se ao fato de a ecologia organizacional dedicar-se ao estudo de um nível de análise habitualmente ignorado na teoria organizacional, isto é, o das populações de organizações. Acontece que as abordagens organizacionais dominantes analisam a organização como se a sua ação fosse independente da influência e da interação com o ambiente externo. Ao realçar a escassez dos recursos e a competição interorganizacional pela posse desses recursos, a teoria ecológica ajuda a compreender fenômenos normalmente esquecidos ou ignorados, como o nascimento e a morte das organizações, os padrões evolutivos das populações organizacionais, as limitações dos gestores na manutenção das capacidades adaptativas das empresas, a força da inércia, etc. Essas questões, embora centrais, tendem a ficar de fora das preocupações das teorias alinhadas pelo diapasão dominante, mais dedicadas ao estudo do alinhamento de alterações adaptativas sucessivas e de sucesso, e analisadas no contexto de designações como as de mudança organizacional ou desenvolvimento organizacional. Uma segunda explicação seria a de que a teoria ecológica representa um passo significativo na aplicação da metáfora biológica às organizações. Se a evolução das espécies deve ser entendida no âmbito das populações, então o mesmo parece fazer sentido no que se refere à compreensão da evolução organizacional. Dada a capacidade apelativa da metáfora biológica, não é de todo surpreendente que a ecologia organizacional, com a sua visão renovadora e longitudinal, tenha sido capaz de atrair um grande número de adeptos. Por fim, restaria o argumento de que a experiência comum mostra que as empresas têm dificuldade em Organização, Recursos Humanos e Planejamento mudar, que o cenário hipercompetitivo recrudesce a dependência de recursos, que a concorrência empresarial se parece, cada vez mais, com uma luta pela vida em muitos aspectos semelhante àquela que envolve organismos vivos. Nesse aspecto em particular, a ecologia organizacional pode ser vista como um sinal dos tempos. Um sinal de uma época competitiva, a ponto de selevantarem vozes sobre a justeza e as conseqüências da ideologia da competição – vide Grupo de Lisboa (1994)2. Os argumentos apresentados talvez ajudem a perceber a pujança da teoria ecológica e a atração que ela tem gerado na comunidade acadêmica. O seu caráter anti-management será, por sua vez, o resultado de um conflito de interesses entre a comunidade científica e a profissional: uma teoria não é necessariamente má por não se adequar aos interesses de um determinado grupo profissional e por não lhe reconhecerem os créditos normalmente considerados nas sociedades ocidentais. No restante do artigo, em todo caso, tomar-se-á como aceitável o ponto de partida de Donaldson, segundo o qual as teorias organizacionais devem se revestir de utilidade para a gestão e, por conseguinte, para o desenvolvimento humano. Procurar-se-á, assim, ensaiar breves tentativas de resposta a duas diferentes questões: A teoria ecológica apresenta implicações válidas para a gestão de organizações? E como aproximar a teoria ecológica das teorias de gestão para gestores?"
Veja aqui o artigo na íntegra: www16.fgv.br/rae/artigos/226.pdf
As duas últimas questões levantadas pelo autor são muito válidas e fica entao para os próximos grupos.
Felipe Pierri, Ismael Cavalcante, Joao Julio Almeida, Pierre Jadoul