Cultura Organizacional no Brasil

Pessoal, pesquisando sobre a Cultura Organizacional no Brasil, encontramos o seguinte texto, que trata das relações e da influência da cultura brasileira com a cultura organizional no Brasil. Infelizmente o texto encontra-se em formato pdf, e não há a possibilidade de copiá-lo aqui, portanto peço que visitem o seguinte link para a legitimar a leitura e orientar nossa discussão.

http://www.facef.br/rea/edicao02/ed02_art04.pdf


Comentários:

Após a leitura do texto, percebe-se a grande influência que o Brasil sofreu e ainda sofre em sua cultura organizacional, devido a história das relações de poder no país como um todo. O autor faz uso ainda de uma tabela, que basicamente nos permite inferir sobre aspectos bastante percebidos na cultura organizacional brasileira como a distância dos centros de poder, a submissão e a flexibilidade, na qual faz-se a relação de tais aspectos com fatos históricos brasileiros, assim como a realidade da colonização portuguesa em nosso país.

O autor cita ainda, a atual tendencia em organizações familiares, e explica tal fato pela nossa bagagem cultural de desigualdade no tratamento das pessoas, e como a criação de leis que não consideram fatores como a nossa personalidade se concretizaram.

O grupo também considerou interessante a relação que o autor faz entre a nossa cultura escravocrata com a tendencia cultural do "certo e errado", o que influencia diretamente na criação de regras dentro de qualquer organização brasileira, e ainda contribui com a questão da diversidade brasileira, em que o povo brasileira acostumou-se a realidade do ambíguo e do incerto, e que portanto, a tendencia de transformar problemas em oportunidades é um fato inerente a cultura organizacional brasileira.

Alguém discorda ou concorda com os fatos abordados pelo autor ou pelo grupo? Alguém tem mais alguma contribuição?

Obrigado pessoal!

Grupo 10 - Caio Lousa, Renata Amiach e Eitan Blanche



Cultura Organizacional no Brasil

Falar das práticas de gestão no Brasil implica, necessariamente, em relembrar as características em que deu-se a nossa colonização e das influências históricas sofridas por parte das grandes nações nestes nossos pouco mais de 500 anos de história.
Seguindo o alinhamento proposto pelo artigo acima citado, podemos dizer que cinco traços são determinantes e fortemente presentes em nossas organizações. Trataremos distintamente de cada um deles e ao final da análise faremos uma integração dessas características com observações práticas da realidade e ainda sugerir outras leituras para aprofundar o assunto.

O primeiro traço marcante à cultura brasileira é a hierarquia, e está intimiamente ligada aos princípios da nossa formação nacional. Desde o Brasil Colonia somos regidos por estruturas pouco igualitárias e que preveem clara distinção de poderes, centralizando nas mãos de poucos o controle sobre muitos. Até hoje, por exemplo, a esfera pública brasileira é assolada por antigas famílias oligarquicas que mantém-se no poder em meio a qualquer regime de governo adotado (república, ditadura, democracia neoliberal) e não raro são os casos que surgem no noticiário de práticas coronelistas nos poderes executivo e legislativo do país.

Uma segunda característica bastante peculiar ao Brasil é o personalismo, em que as relações pessoais e profissionais do sujeito frequentemente se confudem e se sobrepõe, sem que haja algum fundamento técnico para tal. Recentemente, o escândalo Sarney foi mais um exemplo de nepotismo presente em nosso cenário político. Muitas empresas, também, costumam estabelecer relações comerciais que são provocadas mais em função da relação particular entre os articuladores do negócio do que em um benefício econômico sustentado entre ambas as partes.

Diretamente relacionado a esse intimismo pessoal nas relações organizacionais está a famosa malandragem do brasileiro, que costuma enaltecer o seu jeitinho e flexibilidade moral nas diferentes relações e decisões sociais que precisa estabelecer afim de buscar sempre uma vantagem final que justifique aos meios de se obtê-la, como bem descreve Sérgio Buarque de Holanda em seus textos sobre o Homem Cordial.
Um exemplo que podemos retirar, de uma série de televisão humorística brasileira exibida pela Rede Globo no ano de 2004, da cordialidade do brasileiro dentro de uma organização, pode ser conferido no vídeo abaixo:







No vídeo é possível notar o uso do "jeitinho" pelo Chefe do Gabinete do Superintendente, que, ao ser flagrado fazendo uma coisa errada, rapidamente muda a atitude em relação à situação.

Há, ainda, no contexto brasileiro, duas outras características muito presentes nas organizações e já enraizadas em nossa cultura. O sensualismo, ligado ao clima tropical, à miscigenação das etnias (em especial às índigenas e africanas) e as condições particulares de formação da nossa sociedade é, ainda, uma característica muito explorada pelas organizações, inclusive em suas ações de marketing e no direcionamento dos seus produtos e serviços.
Um exemplo característico do sensualismo presente nas empresas brasileiras, está na utilização dessa conotação nas propagandas e ações de marketing de marcas de cerveja. Em nosso país essas possuem um apelo maior pelo lado sexual do que as propagandas estrangeiras, como podemos ver no comercial da Brahma, postado abaixo:








Por fim, destaca-se o aspecto aventureiro do brasileiro, que tem dificuldades em manter-se focado em ações mecânicas e padronizadas, muitas vezes abdicando de uma estrutura mais forte e bem definida por uma organização mais leve e inovadora.

Dadas essas características, o que se pode perceber no Brasil é que nossas instituições são predominantemente familiares e patriarcais, as estruturas de poder mantém-se centralizada nas mãos de poucos e estes poucos ainda fazem uso de diversas artimanhas para se perpetuar no poder. Uma interessante percepção prática desses conceitos pode ser percebida no trabalho semestral da disciplina Finanças Corporativas I, em que grandes empresas brasileiras, como CCR ou Drogasil, mesmo inseridas no selo Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA), em que se presume as melhores práticas de governança corporativa, mantém um controle gerencial disfarçado, utilizando de outras empresas de propriedade da família do diretor-presidente do conselho de administração da empresa para ter um controle indireto sobre as decisões da companhia. Além disso, muitas dessas empresas, por mais que atuassem em diferentes setores ou mercados, acabavam respondendo sempre por um pequeno grupo de investidores. Da farmacêutica Drogasil à multimarcas do setor de vestuário Alpargatas, por exemplo, boa parte das ações ordinárias das empresas passava pelas mãos da Camargo Correa e seus herdeiros.

Para complementar as abordagens aqui sugeridas e ainda entrar em outras frentes do estudo organizacional brasileiro, sugerimos o estudo de iniciação científica de Juliana Borja, da Faculdade Rui Barbosa e, principalmente, o artigo dos professores Rafael Alcadipani e João Marcelo Crubellate no volume 43 da RAE (Revista de Administração de Empresas, publicação da FGV). Seguem os links:
http://www.frb.br/ciente/2006.1/ADM/ADM.BORJA.pdf
http://www16.fgv.br/rae/artigos/1419.pdf

O que vocês acham dessa caracterização das organizações brasileiras? Faltou abordar alguma coisa? Que tal discorrer um pouquinho sobre a influência dos estrangeirimos no Brasil?

O Brasil sempre foi muito influenciado por métodos internacionais em todas as formas de nossa cultura, inclusive de gestão. Mais uma vez temos o respaldo dessa afirmação baseado na história do país. Como defendido por autores como Caio Prado Júnior, a colonização exploratória e extrativista que sofremos, justifica o fascínio pelo estrangeiro e a postura brasileira como assimiladores de conceitos e modelos de outros países.

No campo de tecnologias de administração a influencia estrangeira pode ser sentida até hoje através de empresas de consultoria, mídias de gestão, "gurus" da administração entre outros, que insistem em importar modelos advindos de outros países, esquecendo das particularidades da cultura brasileira.

Indo mais fundo, podemos notar a influência que sofremos do estrangeirismo, quando olhamos o campo acadêmido do país, que forma os futuros líderes e gestores do país. Historicamente, as primeiras escolas de negócio aqui erradicadas possuem influências estrangeiras desde o início de sua história, como é o caso da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que possuía uma parceria de treinamento e inclusive alguns professores da Michigan State University em seu corpo docente, contando posteriormente com ajuda técnica e financeira do governo dos Estados Unidos da América. Além disso, uma observação do referencial bibliográfico dos trabalhos apresentados na ANPAD (Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação em Administração), aponta a preferência de autores estrangeiros para referência, sobre os autores nacionais.
Portanto, as práticas de gestão e as formas de lidar com a Cultura Organizacional no Brasil, sofrem muitas influencias externas, tanto nas empresas como nas escolas de negócios, formadoras de futuros líderes, o que causa uma certa incongruência entre a Cultura vigente na empresa e a Cultura do país, desfavorecendo um bom andamento das organizações no Brasil.

Apesar disso, podemos ver, em exemplos como o da Petrobras, que a valorização da cultura nacional e o foco no desenvolvimento de práticas nacionais (como a exploração de petróleo em águas profundas, tecnologia que somos líderes mudo afora) dão bons frutos e colocam a empresa em patamares cada vez mais altos, tanto no cenário nacional, quanto internacional, como é possível se notar no enfoque do vídeo, que é a descoberta do pré-sal. O vídeo abaixo mostra a valorização da cultura brasileira feita pela empresa, evidenciada inclusive pela música escolhida para o vídeo:









O link a seguir foi usado como texto de suporte para o tema "Influência do estrangeirismo" e pode ser usado como um complemento à página: http://www.frb.br/ciente/2006.1/ADM/ADM.SANTANA.F2.pdf.

Obrigado.


Grupo 5 - André B. Silva, Caio M. Siemionko, Leonardo M. Natali, Matheus L. Braz



Olá grupo 10,

Gostaríamos de comentar a herança cultural do Brasil. Nossa história tem influência não só dos portugueses, mas também das diversas outras nacionalidades que imigraram ao nosso país em busca de riquezas e oportunidades. Entre estes estavam os franceses, ingleses e americanos, e, conforme comentado acima, os escravos negros que foram trazidos a força ao nosso país. Vale destacar também que previamente à colonização tribos indígenas já habitavam o país, e tiveram um papel importante no desenrolar da história brasileira. Esta diversidade teve forte influência sobre a maneira como o "povo brasileiro" se desenvolveu.

A variedade da cultura brasileira afeta as culturas organizacionais. Por isso, antes de entender como funciona uma organização é importante entender os elementos que caracterizam a nacionalidade em questão. Assim, usamos os três níveis de cultura de Edgar Schein (1997) para descrever alguns elementos da cultura brasileira.

O nível 1 representa os elementos visíveis da cultura; são aqueles que são facilmente reconhecidos, mas que não representam a totalidade da cultura do Brasil. As imagens abaixo representam as principais características associadas ao Brasil. São os tabus atrelados à cultura brasileira:

CARNAVAL
Carnaval
Carnaval


FUTEBOL
external image futebol.jpg


PRAIA
external image PE-carneiros-Christian-Knep.jpg

POBREZA/FAVELAS
external image Blog-Brasil-thumb.jpg

BIODIVERSIDADE
external image Diversidade-ambiental-no-Brasil-e-no-mundo.jpg

O poder destes elementos é grande devido ao baixo nível de conhecimento profundo do Brasil no exterior. Somos tachados como "o país do futebol e do samba", mas na realidade, o estudo de outros níveis de cultura possibilitam o desmascaramento da cultura brasileira.

O nível 2 refere-se a valores e aos elementos que não sao visíveis da cultura. Na opinião do grupo, alguns valores são consagrados na cultura brasileira: a religião, a arte e, conforme citado no comentário acima, a cordialidade ("jeitinho brasileiro"). Os primeiros dois são caracterizados pela diversidade. Apesar de o catolicismo ter sido religião oficial no Brasil por boa parte de sua história, hoje há diversas outras que são seguidas pela população, entre as quais estão o espiritismo, as religiões protestantes, o judaismo, e até algumas religiões africanas. Já a arte passou por diversas tendências, modas, abordangens e técnicas. Tivemos artistas realistas, naturalistas, vanguardistas, modernistas, entre muitos outos. Ocorreram diversos movimentos e manifestações na arte brasileira, que há muitos anos é reconhecida mundialmente.

O grupo encontrou o seguinte artigo que discute outros valores do Brasileiro (Valores do Brasileiro)

A análise do nível 3 gerou dúvida para o grupo. Séra que seria possível alguém esclarecer ou dar uma opinião a respeito de como classificar tais aspectos básicos da cultura brasileira?

Muito obrigada,

Grupo 12; Clara Verdier, Fabiana Lang, Fernanda Jaquetto e Isabella Bara

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Pessoal,

Ocorreu uma confusão quando um dos grupos postaram, e o comentário que nós fizemos sobre o texto ficou em um lugar diferente do link correspondente. Portanto, alteramos o layout do texto para que não ficasse confuso.

Obrigado.

Grupo 10