**Gerindo as organizações** >>>Capítulo 8: Cultura


O capítulo levanta uma diferença importante e extremamente interessante entre cultura e normas.Somente com isto esclarecido poderíamos fazer qualquer análise da importância da cultura no contexto empresarial e o que ela pode significar através de diferentes exemplos. Após esta análise mais macro dos conceitos que envolvem esta discussão, uma outra página irá focar na contextualização dentro das organizações brasileiras .
  • Cultura é o conhecimento (CAPÍTULO 10) cotidiano das pessoas, uma bagagem ampla de experiências vividas e de informações processadas que dá sentido (Sensemaking) ao mundo na qual estas pessoas vivem. Todo este entendimento, essas informações e significados de diferentes pontos de vista são transmitidos por meio da linguagem, símbolos e artefatos, que representam diferentes formas de comunicação (CAPÍTULO 9) .
  • Normas, diferentemente do conceito de cultura, são pressupostos tácitos, ou seja, regras informais, não claramente explicadas, formalizadas ou escritas. Assim, as normas têm seus significados negociados e dicutidos nas situações cotidianas.
Aprofundando no assunto de cultura, segundo o conceito definido acima, podemos discutir a inserção deste termo nas organizações empresariais. A cultura organizacional compreende crenças, valores, objetivos e pressupostos básicos partilhados para definir os rumos da empresa. Dessa maneira, todas as decisões a serem tomadas devem ter um crivo de validação baseado na cultura e todos devem atentar-se para trabalharem e apresentarem-se segundo o contexto cultural predefindo. Quanto mais compartilhada pela organização, mais forte é a cultura, para isto, sensemaking e comunicação são aspectos indispensáveis neste processo. Existem diferentes níveis e perspectivas de cultura.
São 3 níveis de cultura, primeiramente nos
Artefatos (arquitetura, uniformes, mobília), depois nos Valores (crenças em "algo", há um sentimento, um investimento emocional percebido ao expressar esta crença) e, posteriormente, nos Pressupostos Básicos (essência da culta, idéia impregnada no subconciente e no tácito das pessoas e do espaço).
As perspectivas são também 3: Integracionista, que assume uma cultura forte e amplamente aceita, estudo quantitativo para homogenização da cultura acreditando que a cultura integrada melhora o desempenho; Diferenciação, que assume a existência de diferentes culturas como normas (não-formais), aceita mudanças de valores e essência, sub-cultura podem legitimar-se e tornar dominante e aceita ou até ser oposta a dominadora), o que pode ser positivo quanto negativo. Fragmentação, culturas instáveis e temporárias, cultura ambígua e sem consenso, estudo das características etnográficas através de entrevistas com produnfidade; desta forma, não há senso comum entre a organização o que torna-se um risco de não entendimento da atividade e objetivos estratégicos.
Grupo 11: Italo, Júlio, Luiz Felipe e Marcelo de Sá
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Normas X Cultura X Regras Formais
Nesta diferenciação vale a pena levantar um argumento e uma discussão. O caso da Geissy, aluna da UNIBAN que frequentou a escola com uma vestido um tanto quanto polêmico devido ao seu cumprimento, que causou alvoroço aos outros alunos, gerando um coro de gritos e xingamentos, e como consequencia teve a explusão da garota da faculdade num primeiro momento. Qual a razão de sua expulsão? Ter usado um vestido curto? Em que parágrafo do livro de regras da faculdade e do contrato que ela assinou para tornar-se aluno está dito que ela não pode utilizar um vestido que salienta partes do corpo? Imprudente, sim, isto ela foi, a medida que o modo de vestir é uma norma da escola, porém esta não infrigiu nemhuma regra formal pre-definida, sendo sua expulsão, na visão do grupo 11, sem fundamento.



Segundo Schein: Cultura Organizacional é o modelo de pressupostos básicos, que determinado grupo tem inventado, descoberto ou desenvolvido no processo de aprendizagem (capítulo 10) para lidar com os problemas de adaptação externa e integração interna. Uma vez que as premissas tenham funcionado bem o suficiente para serem considerados válidos, são ensinados aos demais membros como é a maneira correta para se perceber , pensar e sentir em relação àquele problema.

Referente ao caso de Geissy, o que eu percebo é que não houve estudo pré-definido de como lidar em uma situação como esta. É por isso que houve um alvoroço referente a maneira de vestir da aluna e de maneira precoce a Universidade a expulsou. Percebe-se que como o passar do tempo, está ficando mais claro qual é a maneira correta para se pensar em relação àquele problema.

Geovanna S Smaniotto (Grupo 2)

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Colaboração do grupo 9

Por mais que a aluna Geissy não tenha se comportado de acordo com os padrões esperados pela faculdade, o fato de usar um vestido curto não justifica sua expulsão. A decisão da diretoria de expulsá-la foi mal discutida e é claro que houve falha na comunicação, uma vez que essa decisão já foi revogada. Levando em consideração o conceito de cultura como tratado acima, podemos ainda falar que a faculdade nunca processou a informação da maneira correta de como os alunos deveriam se vestir dentro da instituição de ensino.
O texto a seguir faz uma ótima crítica sobre a decisão mal pensada tomada pela diretoria da UNIBAN:

Chamem os universitários
Raras vezes vi um tiro no pé tão bem disparado. Por qualquer ângulo imaginável que se analisasse, afigurava-se como ruinosa a decisão da Uniban de expulsar, através de anúncio nos jornais, Geisy Arruda, a garota que há três semanas quase apanhara de seus colegas universitários por andar com um vestido considerado curto demais.
Quando a direção da universidade se deu conta da magnitude de seu desatino, voltou atrás e desexpulsou a jovem, no que foi interpretado mais como confissão de leviandade do que como demonstração de coragem por ter admitido, ainda que indiretamente, seu erro. Em suma, o episódio pode ser qualificado como um desastre total, ou "dafaecatio maxima", como escrevi na edição impressa (só para assinantes da Folha de domingo. Acho que nem um estudante do primeiro ano do curso de marketing da própria Uniban teria cometido tantos e tamanhos equívocos.
Com sua atitude, a universidade conseguiu a proeza de colocar do mesmo lado a UNE e a blogsfera de direita, o Ministério Público e a OAB, o primeiro escalão do governo Lula e associações feministas. Até a imprensa estrangeira deu destaque à história, que apareceu em órgãos tão distintos como "The New York Times", "China Daily" e "Manila Bulletin". Alguns dos novos epítetos sugeridos para a instituição incluem Unibando e Unitaleban. Atenho-me aos publicáveis.
O que me surpreendeu nessa história toda é que a grita contra a absurda expulsão era totalmente previsível. A própria Uniban já experimentara um aperitivo do clima reinante com a repercussão que o caso obtivera antes da ideia de jerico de convidar a menina a deixar a escola. Como o sucesso empresarial da instituição indica que seus diretores não são exatamente idiotas, fico me perguntando como puderam entrar nessa fria.
O mais perto de uma hipótese racional a que cheguei, é que a medida visaria ao público interno. O episódio deve ter pegado mal entre uma determinada casta de alunos e seus financiadores (pais). A expulsão seria a tentativa de pôr um ponto final sem ter de admitir, ainda que implicitamente, que a universidade tem um bando de arruaceiros como alunos (a tal da "mancha no diploma" a que um estudante se referira) e sem ter de cavar muito fundo para encontrar os 700 responsáveis-pagantes pelo assédio contra Geisy. No fundo, seria a materialização nua e crua do "o cliente sempre tem razão".
O problema é que esse princípio, irretocável quando o negócio em questão é uma padaria ou um serviço de televendas, não funciona tão bem na educação. No plano objetivo, essa é uma atividade em que não basta contentar o freguês. É preciso também incutir-lhe algum conteúdo, geralmente técnico, na cachola, o qual será medido através das avaliações do Ministério da Educação (MEC).
E nem sempre o objetivo de agradar o aluno e o de ensinar-lhe algo andam juntos. Se o estudante é um preguiçoso, por exemplo, instruí-lo vai necessariamente causar-lhe dissabor. Se a escola opta por satisfazer aos apetites inatos de seus fregueses, tende a ter piores resultados nas provas do MEC. Se, por outro lado, decide investir na qualidade técnica de seus formandos, acaba alijando uma parte importante de seu mercado potencial, que ou não tem condições de assimilar muito conteúdo ou não está disposta ao esforço de fazê-lo. Encontrar o ponto de equilíbrio entre essas duas atitudes é tudo menos trivial. Ajuda quando você tem um público que saiba suportar bem algum nível de frustração, isto é, que não seja partidário muito entusiasmado do "o cliente sempre tem razão".
Para complicar um pouco mais o quadro, existe ainda o plano subjetivo. Nossos cérebros poderiam perfeitamente ter sido projetados por Bill Gates: vieram com uma porção de "bugs", entre os quais um que estipula que determinadas coisas não podem ser vendidas. Se você regalar sua esposa com um caríssimo jantar no melhor restaurante da cidade na expectativa de conseguir uma noite de enlevos lúbricos, será descrito como um romântico incorrigível. Mas, se preferir simplificar as coisas e oferecer-lhe uma soma em moeda corrente para o mesmíssimo fim, só o que conseguirá é o divórcio e a reprovação de todos os seus familiares e amigos.
A educação fica no meio do caminho entre o sexo e a bolsa de commodities: nem bem um tabu, nem uma mercadoria "ordinária". Não tratamos donos de escolas particulares como cafetões, mas vemos suas atividades sempre com uma ponta de desconfiança, em especial quando eles dão provas mais explícitas de que visam ao lucro. Daí que não engolimos muito tranquilamente estratégias de marketing educacional que incluam o oferecimento de brindes e badulaques. Mesmo táticas que aceitamos como plenamente legítimas em outros campos tornam-se suspeitas quando aplicadas na esfera pedagógica. Um cartola do futebol tem praticamente a obrigação de contratar o melhor time possível. O mesmo vale para o CEO de uma empresa quando recruta seus executivos, funcionários e busca formar sua carteira de clientes. Mas, se um empresário da educação oferece incentivos para atrair bons alunos para sua escola, a fim de melhorar sua avaliação nos testes do MEC, não conseguimos deixar de ver aí pelo menos uma pontinha de corrupção.
Em suma, gostamos de pensar que a educação é uma área especial, na qual as regras de mercado se aplicam, mas não inteiramente. O lucro é tolerado, desde que ele não se configure como obstáculo à "tarefa do educador" -ainda que tenhamos dificuldades para defini-la de modo mais consistente do que combinando-a com as palavras de ordem de sempre: ética, cidadania, moralidade.
Tais considerações ajudam a entender a dimensão que tomou a "operação UniOban". A reação da universidade de expulsar Geisy desponta como uma tripla traição: a instituição não apenas tomou a atitude fascista e chauvinista de investir contra a vítima para proteger os mais fortes, como o fez no contexto especial da educação, uma área que preferimos imaginar como governada por princípios elevados e não por interesses imediatistas ou financeiros. Como se não bastasse, quando a direção se deu conta de que poderia ver seus lucros reduzidos, não hesitou em desmantelar o que apresentara 24 horas antes como defesa dos "princípios éticos", da "dignidade acadêmica" e da "moralidade".
Para tornar a história jornalisticamente ainda mais "perfeita", ela tem temperos sexuais e pode ser descrita como um embate da garota pobre e injustiçada contra empresários gananciosos e "pitt-boys" filhinhos de papai.
Como tudo isso é pelo menos um pouco verdade, o equívoco da Uniban assume proporções sociológicas.