Gerindo as organizações >>>Capítulo 6

Comportamento Organizacional


Personalidades, Grupos, Emoções


O administrador de hoje deve possuir não somente competências técnicas e específicas, mas trazer consigo habilidades nas mais diversas áreas. É essencial que o administrador saiba lidar com questões ligadas a relações humanas, como a habilidade de motivar, guiar e desenvolver os funcionários, inspirar e transformar organizações, saber comunicar em contextos diversos (com diferentes culturas e religiões), construir uma cultura organizacional, atuar como parte de uma comunidade global, gerenciar equipes de alta performance e promover estabilidade e harmonia num contexto cada vez mais ambíguo, incerto e complexo.
Para tanto, os administradores necessitam de um conhecimento básico a respeito dos princípios e teorias da psicologia, para auxiliá-lo na tarefa de gerir pessoas na organização. Entre estes conceitos, destacam-se aqui os valores, a diversidade e a comunicação.
Os valores são essenciais porque direcionam de certa forma, nossa vida profissional. Eles podem unir ou distanciar as pessoas (gerar conflitos), a partir da forma como percebemos o mundo a nossa volta e do modo como interagimos com os demais. Sendo assim, a compreensão dos valores é um atributo fundamental para o administrador de hoje.
A personalidade é importante porque faz de cada um de nós, o que nós somos, porque determina nosso modo de agir, e molda nossos sentimentos.
Por último, deve-se compreender que o trabalho em grupo pode ser recompensador, porém, se mal administrado pode gerar problemas maiores.

Setting the scene
“Nós somos o que somos por predisposição genética ou por influência do meio?”- essa questão é motivo de discussão e polêmica no ramo da psicologia. Alguns estudiosos argumentam que o ser humano já nasce com características definidas, como por exemplo sua inteligência, habilidades e personalidade. Outros alegam que nós criamos nossa personalidade através das experiências que vivemos e que nós somos fortemente influenciados pelo contexto que nos cerca, como o status sócio-econômico de nossa família, a cultura, o ambiente no qual crescemos, nosso aprendizado, etc.
Essa discussão não se limita à esfera da psicologia, no campo organizacional essa discussão determina como os administradores gerem as pessoas, a partir de como assumem que os funcionários se comportam. Para alguns, a habilidade de liderança, por exemplo, pode ser desenvolvidas pelos funcionários e estimulada através de treinamentos. Para outros, ou os funcionários já apresentam essa habilidade, ou nunca serão capazes de desenvolvê-la.
Um importante tema emergiu a partir dessas duas linhas: a perspectiva de competição X cooperação.
Alguns argumentam que somos programados para a competição, trazemos isso instintivamente, como maneira de poder perpetuar o nosso gene sobre os outros. Para outros, o ser humano é por essência, cooperativo, ou seja, que a adaptação e sobrevivência da espécie dependeria muito mais do fato de sermos animais sociais buscando afiliação e relações interpessoais.
Baseado na teoria de Darwin e de Adam Smith, Nicholson argumenta que a competição é uma predisposição genética do ser humano.

Approaches e teorias principais

Valores: gerindo a mim mesmo
Dentro do contexto organizacional, os valores são importantes porque ajudam a formar, sustentar e melhorar o relacionamento entre as pessoas, bem como a motivá-las. De forma geral, a administração pode ser vista como uma forma de gerir pessoas de maneira coordenada, de modo a garantir os resultados esperados da organização, enquanto também se garante que os valores das pessoas estão sendo atendidos.
Valores
Valores são as crenças de uma pessoa ou de um grupo a respeito de algo, no qual eles tem alguma investimento emocional.
Shalom Schwartz define os valores como objetivos pessoais que variam em sua importância, e servem como guia dos princípios na vida das pessoas. De acordo com Aronson, o ser humano vive em constante tensão entre os valores individuais e os valores sociais; os valores associados a nossa individualidade podem conflitar com aqueles que regulam nosso comportamento em sociedade. Os valores tem um componente individual e um social. Algumas vezes, o que valorizamos como indivíduo pode não ser valorizado pela sociedade ou vice-versa. A interação entre os valores pessoais e sociais podem causar tensão, porque valores são algo que as pessoas acreditam fortemente.
Compreender os valores, seja dos funcionários, dos colegas de trabalho, dos clientes, dos superiores ou mesmo das outras organizações, é algo crítico para a administração; o alinhamento entre o comportamento organizacional e a gestão das pessoas se deve em grande parte à compreensão do administrador sobre essa questão.
Schwartz identifica alguns valores como trans-situacionais, ou seja, independente da situação que a pessoa se encontre, ela permanece fiel a estes seus valores (ex: a valorização da vida e da liberdade acima de qualquer outra coisa).
Rokeach argumenta que nossos valores guiam nosso comportamento ao longo de nossa vida. Similarmente, Schwartz identifica alguns valores como motivacionais, e estipula 10 valores universais, os quais ele acredita que todos os indivíduos e povos possuam em comum. São eles:

· Sucesso;
· Conformidade;
· Poder;
· Auto-direção;
· Tradição;
· Benevolência;
· Hedonismo;
· Segurança;
· Estimulação;
· Universalismo.

Alguns deles são excludentes, porém a maioria ele considera ser contínuo, ou seja, se interligam e não apresentam clara delimitação entre eles.
A maioria das pesquisas confirma que todos nós, seres humanos, carregamos estes valores em comum, independente da religião, cultura ou sexo; o que nos diferencia uns dos outros é a ordem de importância (prioridade) que atribuímos a eles.

Personalidade

Personalidade se refere ao padrão de comportamento e consciência que auxilia a explicar a tendência de comportamento de cada indivíduo. A personalidade influencia como as pessoas são percebidas pelos outros, e o modo como os demais reagem e se comportam frente a cada individuo.
A personalidade é importante na compreensão da razão e do modo como as pessoas de comportam, pensam e sentem, e pode apresentar um grande impacto sobre aquilo que decidem fazer e na performance profissional.
Veremos, a partir de agora, quatro perspectivas diferentes a respeito da personalidade: a qualitativa, a sócio-cognitiva, a psico-analítica, e a humanista.

Você é o que você é: a Perspectiva Qualitativa

Essa perspectiva parte do princípio de que a personalidade é algo que pode ser facilmente identificada, operacionalizada e medida. Se refere a um misto de influencias genéticas, psicológicas e sociais que caracterizam a forma da pessoa pensar e agir ao longo de sua vida. Essa perspectiva tornou-se conhecida em 1936, quando Allport e Odbert, classificaram por fatores todas as características que descrevem uma pessoa.
A teoria qualitativa mais conhecida é aquela proposta por McCrae e Costa`s (1996), enunciada “Big Five” fatores de personalidade. São estes os cinco fatores e seus respectivos significados:

· Estabilidade Emocional- se uma pessoa é calma ou ansiosa, se ela se auto-satisfaz ou se tem pena de si mesma, segura ou insegura, emocionalmente estável ou instável
· Extroversão- se uma pessoa é sociável ou reservada, assertiva ou tímida
· Abertura- se refere ao modo como a pessoa vê a vida, se é independente ou conformada, se tem a cabeça aberta ou não, criativa ou prática
· Aceitação- se refere ao modo como o indivíduo se dá com os outros, se é amável ou mais frio, confiável ou não, cooperativo ou não
· Consciência – se a pessoa tem alto ou baixo grau de tolerância ao risco, se é organizada ou não, disciplinada ou impulsiva.
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Você é o que você pensa: Perspectiva sócio-cognitiva

Busca explicar como o aprendizado, o comportamento social e a cognição compõe e moldam nossa personalidade. Se iniciou com a teoria de Bandura de “determinismo recíproco”. De acordo com essa teoria, defende-se que a nossa personalidade é fruto de nosso comportamento, de nosso pensamento e de nosso sentimento na interação com o meio em que nos inserimos.



Uma das teorias sócio-cognitivas mais difundidas é a do “locus de controle” desenvolvida por Rotter (1966).
Ela direncia dois tipos de comportamento:

· O Locus de controle interno- no qual o indivíduo internaliza o comportamento, acredita que ele controla o seu próprio destino. São muito mais independentes, tem maior nível de sucesso, desfrutam uma melhor saúde mental.
· O Locus de controle externo- no qual o indivíduo externaliza o comportamento, acredita que forças exteriores predominantemente determinam seu destino, o destino está fora de seu controle.

Na organização, de acordo com essas duas formas de comportamento, os indivíduos podem responder a situações de forma diferente. Como exemplo, imagine uma situação de feedback negativo sobre a performance de um funcionário. Se este se comportar de acordo com o lócus de controle interno, vai se culpar pela falha e tentar fazer melhor na próxima vez. No segundo comportamento, o funcionário poderia reagir de forma mais intensa, alegando que a falha teria sido causada por outra pessoa.

Você é o que você não sabe: Perspectiva Psico-analítica

Se baseia nos desejos inconscientes e nos mecanismos de defesa dos indivíduos. De acordo com Freud, a personalidade é constituída a partir dos pensamentos e das ações advindos da inconsciência.
O ser humano tem a necessidade de expressar seu instinto e impulsividade, porém, para atuar em sociedade, ele cria mecanismos que controlem sua impulsividade, como a repressão (bloqueio de sentimentos e pensamentos indesejáveis pelo indivíduo), formação reativa (bloqueio de sentimentos e pensamentos indesejáveis pelo indivíduo, agindo de maneira exatamente oposta e eles) e o mecanismo de projeção (o ser humano projeta os próprios sentimentos que são ameaçadores nos outros). É uma perspectiva de personalidade, entretanto, negativa, uma vez que explica o comportamento das pessoas por sentimentos reprimidos, pela impulsividade e pelo desejo sexual.


Você é o que você desenvolve: Perspectiva Humanista
O objetivo dessa perspectiva é assegurar que os indivíduos desenvolvam-se pessoal e profissionalmente. Essa perspectiva tomou força a partir de 1960. As teorias humanistas mais difundidas são a de Rogers(1967) e de Maslow (1968). Ambos destacam a noção que cada indivíduo carrega de si próprio. Segundo eles, nós temos o nosso ser verdadeiro e o ser idealizado, e tentamos continuamente dimunuir o gap entre eles. Quando o gap entre eles é reduzido, temos uma imagem positiva a respeito de nós mesmo. Caso contrário, uma auto-imagem negativa.

Trabalhando em equipe

É importante que se tenha habilidade de lidar em grupos, uma vez que o trabalho em equipe é altamente valorizado nas organizações atualmente. Para tanto, deve-se compreender sua composição, sua propriedades psicológicas, como eles podem nos influenciar, e como funciona o trabalho em equipe.
Um grupo ou equipe profissional pode ser definido como uma ou mais pessoas que dividem um contrato psicológico e que se unem a fim de atingir um objetivo organizacional comum, do qual todos os indivíduos envolvidos carregar certa responsabilidade. Há grande dependência nas outras pessoas, quando se atua em equipe; o que pode causar conflitos caso não administradas adequadamente, considerando os valores e a personalidade de cada indivíduo que compõe a equipe. É importante ao administrador manter o controle sobre os comportamentos (instituir regras), estabelecer a direção do trabalho, os papéis e responsabilidades de cada um na equipe, garantir que as pessoas se sintam parte da equipe e deixar claro os resultados esperados do trabalho.


Os pontos que nos atraem: por que formamos grupos

Primeiramente porque nos sentimos mais seguros trabalhando em conjunto do que isoladamente. Além disso, formamos grupos por uma necessidade de sentimento de pertencimento, ser parte de um grupo é necessário para um desenvolvimento psicológico saudável e para a formação da identidade. As pessoas se unem por compartilharem valores e interesses em comum.

Facilitação Social
É um conceito que parte do pressuposto de que os grupos têm um efeito profundo no comportamento do indivíduo, e defende que a performance dos indivíduos é melhorada na presença de outras pessoas.

Conformidade e obediência
Quando se trata de grupos, o comportamento individual é altamente influenciado pelo grupo. Em exemplo disso pode ser a conformidade de pensamentos a respeito de algo: o indivíduo tende a manter a mesma opinião do grupo, caso a maioria demonstre a mesma opinião. Muitas vezes a conformidade ao grupo é “cega”, o indivíduo não reflete sobre sua postura, apenas assume a mesma postura do grupo como sendo a correta. A conformidade pode explicar porque tão poucas pessoas resistem às normas da organização.

Pensamento em grupo
É a tendência de um membro buscar manter a harmonia no grupo, ignorando ou evitando importantes decisões que causariam a ruptura desta harmonia do grupo. Os membros, mesmo que inconscientemente, reinterpretam informações a fim de evitar qualquer pensamento que vá contra a cultura do grupo, o que provoca as vezes, a noção de que juntos eles podem vencer qualquer obstáculo.

Tranquilidade Social
A tranquilidade assumida por alguns indivíduos num contexto de inserção em um grupo (free-riding), é o fenômeno no qual um membro do grupo exerce menos esforço que os colegas, porque sabe que se ele não fizer o trabalho, outra pessoa assumirá a tarefa. Esse fenômeno pode ser minimizado delegando-se claramente as tarefas aos membros das equipes, de forma que cada qual se sinta responsável por seu resultado; estabelecendo as metas do grupo e de cada indivíduo; adotando alguma forma de mensuração do desempenho individual e da equipe.

Psicologia Positiva e Compaixão


É o estudo, pesquisa e teorias das bases da psicologia a fim de manter a melhor vida possível, através do pensamento positivo, sentimentos e comportamento. Num contexto organizacional, ela busca entender as virtudes individuais, a responsabilidade social, altruísmo, tolerância, felicidade e bem-estar. Nesse sentido, a organização deve facilitar a atitude positiva de compaixão (capacidade de sentir empatia e de auxiliar aquele que está em sofrimento ou necessidade) e de confiança entre seus funcionários. Deve promover a coordenação e a cooperação dentro da companhia, ao invés de valorizar a competição entre os empregados, as relações de dominação e de sobrevivência isolada. Para tanto, o administrador pode promover uma comunicação mais aberta e transparente dentro da organização, incluindo sua própria atuação frente aos funcionários. É importante que se porte como um líder aberto e acessível, afirmando valores positivos da cultura organizacional. A missão da empresa que valoriza os funcionários auxilia a promover esse senso de comunidade.


Grupo 9