POLÍTICA E PODER

Pesquisando um pouco sobre política e poder nas organizações, encontrei um artigo muito interessante. Acho que vale a pena ler:

O poder e a política nas organizações

Há uma tendência para interpretar a empresa em termos racionalísticos, mas muitos observadores já perceberam que as personalidades e a política exercem nela um papel decisivo. A empresa é uma estrutura política, ou seja, ela só funciona enquanto distribui autoridade (poder de mandar e influenciar) e enquanto é um palco para o exercício do poder. Isso explica por que pessoas altamente motivadas para buscar e usar o poder encontram nas organizações um ambiente hospitaleiro e familiar.

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O poder é conseguido ou pela tomada do mesmo ou pela entrega passiva.As organizações são, pois, estruturas políticas que oferecem uma base de poder para as pessoas. A acumulação pessoal do poder se dá através do desenvolvimento da carreira e dos cargos aonde em cada nível vai sendo facilitada a afirmação dos interesses de uma pessoa sobre outras.

O fato de o poder ser escasso faz com que ele seja distribuído às custas dos outros. As formas de poder na empresa são a parcela de capital de giro que a área executiva absorve, a alocação dos investimentos, os produtos nobres, o número ou importância de pessoas subordinadas, o espaço territorial de cada domínio. Quanto mais se sobe na organização menos cargos existem e mais pessoas são forçadas para fora, ou seja, o poder pressupõe escassez e competição.

Quando uma pessoa é denominada superior de outras, ela passa a ser objeto de poder. Apesar de a nomeação vir de cima, a afirmação e o apoio vêm de baixo. Um superior representa um grupo de subordinados e, portanto um grupo de interesses. Os subordinados confirmam e apóiam seu chefe ou podem retirar o apoio. O apoio representa um compromisso do superior, como na política partidária: “O que você fez por mim ultimamente?”. A única diferença entre a política de partido e a política de partido e a política organizacional é a sutileza do procedimento de votação.

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Os executivos principais não percebem o quanto as fantasias dos seus colaboradores são importantes para a sustentação da coalizão. O executivo principal é um “objeto” das outras pessoas, ou seja, ele é o recebedor de forte apegos emocionais dos outros. O seu destino como objeto é governado por emoções poderosas. Os seus associados têm para com ele uma mistura de sentimentos positivos e negativos, que incluem: afeto, ódio, inveja, ciúme, admiração, repúdio e carência afetiva. O executivo principal representa a figura paterna, isto é, como objeto central no núcleo de uma estrutura política, cujo protótipo é a família.

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“O problema de liderança é que o método institucional de selecionar e treinar líderes perpetua o eu isolado. A antiga riqueza cultural para aprofundamento da experiência pessoal foi depauperada pela programação do poder. O objetivo consciente é atingir metas; o propósito implícito é a conservação do poder. A única proteção para a auto-estima nas circunstâncias em que o julgamento de competência é tão vago e obscuro é o desligamento e a despersonalização.”
Escrito por Sandra Regina da Luz Inácio

fonte: http://www.webartigos.com/articles/11401/1/o-poder-e-a-politica-nas-organizacoes/pagina1.html



Esse texto é muito importante para nós, futuros administradores, já que é este o mercado para o qual estamos sendo preparados. Vale questionar o quanto nós concordamos com esse processo político dentro das organizações e se estamos dispostos a participar disso, mas sempre tendo em mente que mudá-lo seria muito difícil. O que vocês pensam a respeito disso?



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CAIO LOUSA:

Primeiramente, obrigado Renata pela contribuição.

Além das partes do texto colocadas acima, li o artigo inteiro postado. Durante a leitura, pode-se perceber que o embasamento da autora é bastante prático, uma vez que a mesma é PhD em Administração de Empresas. Além de sua formação, nota-se que ela cita alguns exemplos práticos no texto, mostrando assim que seu artigo é bem fundamentado. Porém, é válido ressaltar que em alguns pontos o texto é bastante determinista, apresentando afirmações que nem sempre possuem aplicação prática. Um exemplo é no início do texto, quando a autora fala que uma empresa só existe caso distribua autoridade e enquanto é palco de exercício do poder.

Em nossa atual sociedade, sabemos que tal realidade não é mais uma verdade absoluta, uma vez que temos diversas organizações surgindo hoje, que já estão bem estruturadas, com perfeito funcionamento e que geram valor para seus stakeholders. Um exemplo disso é a Pixar, em que todos os funcionários possui cargos definidos, porém cada um trabalha de acordo com a área que mais se sente eficiente, não ocorrendo assim uma hierarquia pré-definida, e portanto todos colaboram juntos para a realização das atividades da empresa, não necessitando que haja uma ordem de um superior para que isso ocorra.

Portanto, conclui-se que o texto é de extrema importância, visto seu forte embasamento prático e intelectual. Porém, como dito acima tais afirmações devem servir apenas de apoio e embasamento para a análise da atual realidade das organizações, não ocorrendo portanto, a necessidade de aplicação estrita de tais argumento em uma análise de determinada organização do nosso atual contexto.